Já ouviu falar na “síndrome de Bovary”?

 

Já ouviu falar na “síndrome de Bovary”? Pois bem, ela existe. E às vezes não percebemos o quão presente ela pode estar. Sabe aquela insatisfação permanente, Mesmo quando conseguimos o que tanto queríamos? Sabe aquele amor que nunca se encontra? Sabe aquele vazio profundo que nunca se preenche? Sabe aquele ideal de pessoa que você nunca conhece?

Todas essas questões aparecem quando criamos ideais (pessoas, coisas, projetos, trabalhos, família) que são expectativas a respeito de diversas situações da vida, e que elas existem somente para nós, e , quase sempre, não correspondem à realidade. Então ficamos em busca desse ideal, de encontrar pessoas, situações que se apresentem exatamente como imaginamos ou esperamos. Quando a realidade te apresenta algo/alguém diferente daquilo que se imaginou isso se torna descartável, inútil, falido. Com isso vem a sensação de insatisfação, e cria-se um ciclo de busca por esse ideal imaginativo, levando a pessoa ao vício em romances pois não consegue viver sozinha, insatisfação constante, relações impossíveis e melancolia.

 

É uma incapacidade de adaptar-se a realidade. Pessoas assim estão sempre culpando os outros por suas insatisfações e por suas decepções. Apontam aquilo que julgam defeito alheio como causadores de suas infelicidades.
E o que Bovary tem a ver com isso?

Conta o romance de Gustave Flaubert, que Emma era uma mulher sonhadora, que cresceu e aprendeu a ver a vida através da literatura sentimental. Muito bonita e requintada casa-se com o médico Charles Bovary, no qual ela herda o sobrenome. Emma tenta dar vida e paixão a sua existência o que a levará a uma sucessão de erros. Não se sente feliz com seu marido, e com nada em sua vida. Envolve-se então com dois homens, mas eles também, se revelam aquém de suas expectativas.

 

A personagem não consegue olhar a realidade de frente, não se dá conta do absurdo dos seus desejos e não se interessa pelas preocupações alheias. Ela não tem recursos que lhe permitam compreender o mundo a sua volta e analisar os limites.

Quantas vezes nos vemos acometidos por algo parecido? Em quantas situações nos colocamos e não analisamos nossas atitudes? Quantas vezes alcançamos algo e nos sentimos insatisfeitos?

Pois era esse mau que tantas pessoas vivem e que viveu Madame Bovary.

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